Psicanálise é para qualquer um que deseje falar e ser escutado na sua subjetividade. É uma experiência de linguagem em que alguém fala ao analista para colocar em palavras a sua angústia, que nos discursos de saúde mental atuais ganha nomes como ansiedade, depressão, fobia, pânico, etc.
O analista não promete felicidade nem dá conselhos para uma vida melhor. Ele sustenta a ética e o ato analítico necessários para que o sujeito coloque o seu sofrimento em palavras, até que consiga escutar-se e implicar-se no seu dizer, distanciando-se cada vez mais das fantasias e ideais de perfeição que sustentam o seu mal-estar, conquistando uma forma de viver e relacionar-se menos sintomática e mais esclarecida.
Quando alguém chega para fazer análise, endereça ao analista uma queixa e supõe nele um saber capaz de resolver o seu sofrimento. E o analista propõe a tarefa da livre associação: falar o mais livremente possível sobre aquilo que escolher falar. Ao envolver-se com esta tarefa, o sujeito começará a falar de si como se fosse a leitura de um livro. Um livro com muitas palavras e ideias que insistem e se repetem! Ao manter-se em leitura e releitura, o sujeito compreenderá que o livro não está terminado nem diz toda a verdade sobre si. E, aos poucos, começa a abrir-se uma possibilidade de escrita, com outras palavras, outros sentidos e novos capítulos, a partir de uma maior margem de liberdade existencial para viver como se deseja.